Empresa paulista fatura com reciclagem de acrílico

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reciclagemPor mês, empresa transforma dezenas de toneladas do material. Produto volta ao mercado em forma de expositores, potes e bandejas.

Em São Paulo, uma empresa fatura com a reciclagem de acrílico. Por mês, ela transforma dezenas de toneladas do material. O acrílico reciclado é moldado e volta ao mercado em forma de expositores, potes, bandejas e caixas.

A fábrica recicla o acrílico. Um plástico nobre, caro e muito usado pela indústria. O empresário Januario Severini transforma restos do acrílico em placas novas. O produto é muito procurado pelo preço.

“A placa virgem está em torno de R$ 16 o quilo e a reciclada em torno de R$ 13. Uma diferença grande que o pessoal vem comprando, vem dando preferência mais pelo reciclado do que virgem pelo problema de preço”, afirma o empresário.

A fábrica recicla 80 toneladas de acrílico por mês. “As grandes empresas querem melhorar a imagem delas perante os consumidores, pelo meio ambiente, e elas exigem que seja acrílico reciclado”, acrescenta.

Todo dia chega um carregamento de sucata de acrílico. São restos de mesas, luminárias, displays, enfim, lixão. Eles separam outros plásticos e tiram uma película que envolve o acrílico, justamente para não riscar. É um trabalho totalmente artesanal.

O lixo é moído e vai para um forno por 10 horas. Os pigmentos e outras substâncias químicas contidas no produto viram carvão. O acrílico evapora, passa por tubos depois esfria e condensa. O acrílico sai em estado líquido. Claro como água. O trabalho é transformar em chapa de novo.

O líquido é despejado no meio de duas chapas de vidro. Até se espalhar por todo o espaço. Depois vai para um equipamento chamado autoclave – uma espécie de panela de pressão gigante. “Ele é ‘cozinhado’ em banho Maria, numa temperatura de mais ou menos 85 graus, por umas 12 horas mais ou menos, dependendo da espessura da chapa”, explica Heracles Muriel Ramirez, diretor de produção.

Depois, basta retirar os vidros e o acrílico está sólido de novo. “A transparência é igual ao novo, com 95% de transparência“, diz o empresário.

Por fim, a fábrica coloca outra película protetora para não arranhar. Com esse processo, dá para fazer também acrílicos coloridos. É só misturar pigmentos: verde, rosa, azul, preto.
Para montar uma fábrica de reciclagem de acrílico, o investimento é de R$ 400 mil. A dica é comprar equipamentos usados, mais baratos: o forno, a autoclave, e a máquina de moer.

A fábrica tem 100 clientes, sendo que 90% estão em São Paulo, como o empresário Mário Maximiano. Ele faz potes, cadeiras, tampas e displays. Para ele, hoje em dia, comprar chapas de acrílico reciclado é uma questão de sobrevivência num mercado competitivo.

“Vale a pena por causa da concorrência. Você dá o preço do produto e o outro fornecedor dá outro preço mais barato, então você tem que cair no reciclado para combater ele.”

Primeiro, a chapa reciclada é cortada e vai para um forno. Alguns minutos depois amolece e está pronta para adquirir qualquer formato. Ela é colocada no molde, onde é injetado ar, e a chapa vai adquirindo forma: vira uma tampa.

“Bem flexível. Molda tampa, bolha, brinquedo, qualquer coisa. Jogando no modelo, pega o formato de qualquer coisa”, afirma o montador Jackson Cosme.

As chapas recicladas movimentaram a empresa de Maximiano. Ele vende 400 peças de acrílico por mês, e cresceu 20% no último ano.

Uma loja, no centro de São Paulo, aposta no reciclado para vender mais. A empresária Kelly Yamasaki vende expositores e cabides reciclados, mais baratos. Cada um sai por R$ 1,16. A loja vende 1.800 unidades por mês.

“Geralmente quem compra mais é lojista, porque eles querem o produto em maior quantidade. Então, você reciclando, acaba barateando para repassar para o consumidor lojista, diz Kelly.

A matéria prima reciclada também derrubou o preço dos expositores. “O material reciclado (…) sairia em torno de R$ 3,90 para o lojista. Se fosse uma peça inteira que não fosse material reciclado, ela sairia por R$ 5,10 cada peça. Então, o custo benefício para o lojista, com o reciclado, fica bem mais em conta”, ressalta.

Com o mercado do reciclado aquecido, a fábrica de Januário Severini não para. Ele recicla 2 mil chapas de acrílico por mês. E deve crescer 25% este ano. “Tem muita procura, é um mercado grande, todo mundo trabalha quase lotado o ano inteiro (…). A gente não fica com chapa em estoque. Tudo é vendido.”

Fonte: G1

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